29 junho 2009

Não Vá Embora!

   

"Gallowbird´s Bark", o excelente álbum de estréia dos irmãos Matthew e Eleanor Friedberger, conhecidos como The Fiery Furnaces, data de 2003. Desde então, estes prolíficos e inventivos músicos colecionam 9 discos lançados(!), já considerando seu mais novo lançamento, "I´m Going Away" previsto para 21 de julho.

Seu trabalho caracteriza-se, geralmente, por canções de forte senso melódico, quase sempre carregadas pela admirável habilidade de Matthew no piano (e quem também toca guitarra, baixo, escreve as letras, arranjos...). Inspiradas pelo experimentalismo típico da psicodelia dos anos 60, desafiam e confundem o ouvinte com estruturas extremamente atípicas, compostas de inúmeras mudanças de andamento e letras rebuscadas que contam histórias fantasiosas.

Em "Blueberry Boat", seu segundo álbum (o único lançado no Brasil), a banda já mostra que não veio ao mundo para facilitar a vida de ninguém. A faixa inicial, de 10 minutos de duração (o disco tem 76 minutos!), abusa de manipulações eletrônicas e transforma-se diversas vezes ao longo de sua duração. Porém, o grande charme e trunfo da dupla é o carisma que conseguem imprimir em suas músicas, tornando prazeroso o que tinha tudo para ser maçante. Como não gostar de "My Dog Was Lost But Now He´s Found" ou "Chris Michaels", por exemplo?

E é com esse prazer que, desde 2003, acompanho e anseio por seus lançamentos (praticamente 1 por ano!), sempre gratificantes para um entusiasta da criatividade e imaginação ilimitadas como eu. Desculpem-me pela comparação, talvez inoportuna: mas lembro-me do Dapieve ter escrito uma vez em sua coluna n`O Globo que o mundo perderia muito quando Woody Allen nos deixasse, pois era sempre um prazer assistir a seus filmes, mesmo irregulares, talvez fruto de sua espontaneidade e espaços curtos de tempo entre suas produções. Sinto algo próximo, guardadas as devidas proporções, pelos Fiery Furnaces (embora, espero, estejam bem longe de "nos deixar").

Por isso, insisto na negação do título de seu novo (e ótimo) álbum: NÃO VÁ EMBORA!

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Um breve histórico da discografia dos Fiery Furnaces:

Gallowbird´s Bark (2003)
O cartão de visitas do grupo, uma abordagem atualizada do rock psicodélico sessentista.
Blueberry Boat (2004)
Seu mais complexo, longo e desafiador disco, o único lançado no Brasil.
Rehearsing My Choir (2005)
"Estrelado" pela avó de Matt e Eleanor, Olga Sarantos, de 83 anos!
EP (2005)
Supostamente um disco de sobras de estúdio. Acontece que canções são ótimas e a duração é de um LP!
Bitter Tea (2006)
Aqui, as intervenções eletrônicas comandam a brincadeira.
Winter Women / Holy Ghost Language (2006)
Álbum solo de Matthew, duplo ainda por cima!
Widow City (2007)
Provavelmente o mais barulhento e caótico de sua discografia.
Remember (2008)
Álbum duplo de registros ao vivo diversos.
I´m Going Away (2009)
Seu disco mais linear e acessível até então, onze canções adoráveis e irrepreensíveis.

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"Duplexes of the Dead" e "Navy Nurse", faixas do álbum "Widow City", podem dar uma boa noção da sonoridade única dos Fiery Furnaces. Watch it, don´t go away!




25 junho 2009

Marrow

   

Depois de Natasha Khan (aka Bat For Lashes) apresentar uma ótima versão de "Daniel" no programa do David Letterman, agora é a vez de Annie Clark (aka St. Vincent) surpreender com "Marrow", a música que mais ouço de seu recém-lançado álbum "Actor" (que figura entre nossos discos recomendados, aliás!). Ahh, essas mulheres me enchem de orgulho...que bonito, que beleza!

24 junho 2009

RESULTADO PROMO OSCILLATION + ENTREVISTA

   

E os vencedores são:

Entre os que enviaram e-mail:
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Mônica Surrage
Daniel Guimarães

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Entre os Seguidores:
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Louise Simões
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A Daydreaming agradece a todos que participaram!
E também
à DC Recordings e The Oscillation pelo apoio. Muito obrigado!
Aos curiosos, nós já explicamos anteriormente nosso método de sorteio, que pode ser visto clicando aqui. Muito em breve teremos novas promos no ar, fiquem atentos!

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Daydreaming entrevista
Demian Castellanos

E aproveitamos a ocasião da promo (fechando com chave de ouro!) para fazer algumas perguntas a Demian Castellanos, responsável pela gravação de "Out of Phase" praticamente sozinho, mas que agora conta com uma formação completa não apenas nos shows, mas também na criação do segundo álbum, em andamento.
(foto por Joe Bergman)

Daydreaming De onde saiu o nome "The Oscillation"? Alguma relação com a canção "Oscillations" dos Silver Apples? Eles são uma grande influência?

Demian Eu realmente gosto muito de Silver Apples, mas o nome "The Oscillation" foi sugerido por um amigo meu, não sei se ele estava pensando neles...imediatamente correspondeu ao que eu esperava. Nunca me fez pensar nos Silver Apples, mas depois todos passaram a associar, o que é justo. The Oscillation faz-me pensar em energia viajante ("trippy energy"), flutuações de luz ("light fluctuations"), coisas assim.

Daydreaming A propósito, você lista em seu MySpace algumas bandas que serviram de influência. Mas qual foi sua principal motivação para começar a fazer música?

Demian Acredito que era uma forma de espantar o tédio. Quando eu cresci na Ingraterra, em Cornwall, não tinha muitos amigos e me sentia um tanto isolado. Comecei a me sentir muito entediado com diversas coisas ainda muito jovem, então, assim como muitas pessoas, a música serviu como local de refúgio. Talvez eu tenha entrado nessa de fazer música como uma forma de criar meu próprio mundo imaginário, realidades alternativas que faziam sentido para mim.

Daydreaming Como foi o processo de gravação do álbum? Você gravou praticamente sozinho? Porque em canções como "Liquid Memoryman", parece que há uma banda completa em ação!

Demian Bom, foi...err...interessante. E consumiu um certo tempo, ao contrário do novo álbum (piada!). Lembro de tentar me fragmentar em diferentes versões de mim mesmo, a fim de que não parecesse som de uma pessoa só. Tentei tocar guitarra/baixo/teclados com personalidades distintas, assim como os vocais. Algumas vezes, fiz isso conscientemente, como uma disciplina. Mas me ajudou muito ter um baterista, certamente!

Daydreaming Uma das coisas mais interessantes de "Out of Phase" é que soa atemporal, consegue ser moderno e retrô ao mesmo tempo. Era seu objetivo?

Demian Se soa assim então acho que realmente alcancei algo. Boa parte do que gosto em música vem do passado, mas eu sempre imaginei estranhos sons e atmosferas em minha mente, então passava a tentar reproduzí-los até conseguir um resultado satisfatório. Tentava inventar uma banda imaginária. Essa realmente não é forma certa de ser fazer isso....mas, de qualquer forma, eu não consigo entender porque alguém somente queira copiar o que já foi feito e não tente ao menos reinterpretar um pouco.

Daydreaming Que tipo de som você espera alcançar no segundo álbum?

Demian Ainda não estou muito certo...parece que será bem pesado em alguns momentos. Em algumas faixas eu quero alcançar o som de Electric Ladyland ou Saucerful of Secrets através do filtro de Loop e Can. Obviamente não soará completamente assim haha. Em outras faixas, um pouco de P.I.L. ou Pop Group, mas com muitos ruídos psicodélicos. Será divertido tocar ao vivo com a banda. Acho que será uma expansão natural de "Out of Phase", explorar outras partes do universo. Passei por muitas dificuldades neste último ano, então também quero refletir todas essas experiências e fazer com que o disco soe fudido, psicótico, intenso, sereno e belo.
Uma reflexão distorcida.

21 junho 2009

Um Bárbaro Chamado Moulty

   

Entre as muitas informações contidas no libreto que acompanha a imprescindível caixa “Nuggets- Original Artyfacts From The First Psychedelic Era 1965-1968”, compilação tão relevente que acabou incluída no rank “The Rolling Stone 500 Greatest Albuns of All Time”, está a instigante trajetória de “Moulty”, música dos Barbarians, banda formada em 1963 em Cape Cod, Massachusetts, caracterizada por um estilo mais rebelde que a diferenciava de outros contemporâneos.

A canção, gravada em 1966 e que já aparecia na seleção original de vinte e sete faixas organizada pelo professor-doutor-guitarrista Lenny Kaye (vale ressaltar que mais músicas foram pinçadas posteriormente e inseridas em outros três discos que hoje compõem esse precioso tijolaço musical chamado Nuggets) sempre chamou a minha atenção devido à utilização da sonoridade mais propriamente como pano de fundo para uma história falada/contada num registro deliberadamente melodramático que ao mesmo tempo deixava transparecer um certo humor (involuntário?). O que eu descobri é que se há Moulty- A Canção, também existe Moulty- O Homem, o lendário baterista dos Barbarians, mencionado inclusive em “Do You Remember Rock’n’Roll Radio?” dos Ramones.

A informação não seria tão digna de nota assim caso Victor “Moulty” Moulton não tivesse que empunhar uma das baquetas com um gancho no lugar de sua mão esquerda, perdida num acidente. E mais: essa característica gerou no produtor do grupo, Doug Morris, a ideia de abordar a deficiência física do músico numa canção-homenagem homônima na qual Moulty relatava o seu drama e a subsequente superação através do poder da música (ohh!!). O que nosso herói não sabia era que tão singela iniciativa escondia também uma genuína ambição comercial, já que a música acabou sendo lançada à sua revelia. Diz a lenda que o baterista teve um acesso de fúria ao ser surpreendido com o lançamento do single e, ato contínuo, saiu à caça do presidente da Laurie Records, responsável pela prensagem e em cuja cabeça quebrou várias cópias do disco.

Moulty, a canção, ainda guardava outra surpresa parcialmente revelada por Lenny Kaye quando os Nuggets foram lançados em 1972, ao veicular a suspeita de que na realidade a banda de apoio que participou da sessão de gravação atendia pelo nome de The Hawks. Posteriormente, contudo, o distanciamento temporal possibilitou que Mike Stax ao comentar a faixa considerasse tal fato certo, consumado.

Ah... Só pra constar: The Hawks era a "bandinha" que acompanhava Bob Dylan e ficou mais conhecida como uma tal de The Band.
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"Moulty"- música e letra:



I remember the days when / Things were real bad for me / It was right after my accident / When I lost my hand / It seemed like I was all alone / With nobody to help me / You know, I almost gave up / All my hopes and dreams / But then, then, then something / Inside me kept telling me / Way down inside of me / Over and over again / To keep going on

Moulty / Don't turn away (You're gonna make it, baby) / Don't turn away (Ah, try to make it, baby) / Don't turn away

Things are better for me now / Cause I found that I love music / So I learned to play the drums / And got myself a band and now / We're starting to make it / And if you can make it / At something you love / Wow, you got it all / So I'm saying this to all of you / All of you who think you'll never make it / All of you guys and girls / Cause you think you're so bad off / Or maybe you think you're / A little different or strange / So listen to me now / Cause I've lived through it all

Moulty / Don't turn away (You gotta keep on trying) / Don't turn away (Well, don't you give up, baby) / Don't turn away

Now there's just one thing that I need / Not sympathy and I don't want no pity / But a girl, a real girl / One that really loves me / And then I'll be the complete man / So I'm gonna tell you right now, listen / Don't turn away (you gotta, baby) / Don't turn away (you gotta keep on trying) / Don't turn away, don't turn away

18 junho 2009

PROMO OSCILLATION

   


























Pois é, não demorou muito para que a Daydreaming apresentasse outra promo exclusiva de um disco importado e inédito no mercado nacional! Chegou a vez do álbum que certamente está entre os "prediletos da casa": Out of Phase, disco de estréia do grupo The Oscillation, cujo repertório traz uma moderna combinação de krautrock, psicodelia e eletrônica. Que tal começar a conhecê-los acessando seu endereço no MySpace?

The Oscillation pode ser chamado de grupo atualmente, já que conta com uma formação completa nos shows. Porém, Out of Phase foi fruto do trabalho praticamente solitário em estúdio de Demian Castellanos, criador e líder da banda. Ainda assim, o que se ouve no disco está bem longe de parecer som de uma one man band, muito pelo contrário.

Exemplos não faltam, como esta belíssima versão de "Head Hang Low", de Julian Cope, única cover entre as faixas de Out of Phase...



...ou "Respond In Silence", cheia de groove, uma das primeiras músicas lançadas, quando o projeto ainda tinha outro nome, "Orichalc Phase"...



...e, finalmente, "Violations", terceira faixa e um dos singles de Out of Phase:



Os 3 vídeos foram criados e dirigidos por Julian Hand, também responsável pelas projeções e iluminação dos shows do grupo > myspace.com/mrhandbyhand

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Falando em três...
Desta vez nossa promo sorteará de uma só vez 3 CDs IMPORTADOS do Oscillattion, com o apoio da DC Recordings de Londres. Conheça mais sobre a DC Recordings em:

www.dcrecordings.com
myspace.com/dcrecordings

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COMO PARTICIPAR?
Envie um e-mail para daydreaming@ig.com.br com nome completo + cidade/Estado + "PROMO OSCILLATION" no assunto até terça, 23 de junho.

Duas pessoas
serão contempladas neste sorteio e seus nomes serão divulgados na quarta-feira seguinte, dia 24.

Sim, nós dissemos duas pessoas. Porque separamos 1 CD para sortear exclusivamente entre os que estiverem entre nossos "seguidores" (o campo logo abaixo da descrição da festa, na coluna da direita). Para se tornar um seguidor da Daydreaming é muito simples, bastar ter uma conta Google, a mesma que você usa para Orkut ou Gmail!

Quem quiser, pode participar de ambos, sem problemas.

ATENÇÃO: Esta promo é válida para todo o Brasil!
A Daydreaming se encarrega das despesas de envio, que será feito através de carta registrada.

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Boa sorte a todos!

14 junho 2009

A Vitória de Fausto

   

No início dos anos 70 do século passado, um dos próceres do krautrock, o germânico (de Wümme) Faust, pôs fogo na cena pop, lançando uma série de discos impressionantes, hoje considerados clássicos sem precedentes. A proposta da banda, extremamente autoral, não deixava brechas para interferências externas. O que se ouvia era um som inovador e experimental, calcado na combinação de ataques incessantes de ruídos e de cacofonia com tintas de uma psicodelia nada iluminada, porém sombria, urbana e industrial. Dissonâncias caras ao free jazz também eram bem-vindas, assim como a utilização de elementos eletrônicos e a adoção de procedimentos artística e ideologicamente admiráveis, mas também potencialmente suicidas naqueles tempos, como a pioneira utilização da técnica conhecida como “corte e cola” a qual, como sabemos, viria a influenciar futuramente variadas famílias musicais.

A trajetória da banda, esse resultado artístico ímpar alinhado com uma postura consideravelmente soberana na concepção de sua arte gerou-me a jocosa dúvida acerca da existência de alguma espécie de pacto mefistofélico. Pensando no assunto, cheguei à conclusão de que conjugar no passado é impróprio quando se fala em Faust, mesmo porque a banda continua na ativa (embora com uma formação de estúdio e outra para apresentações ao vivo) e com seu espírito intocado, longe de ser mais um dinossauro decrépito. A prova é o obscuro e quase ignorado “C’est Compliqué”, lançado em... 2009. Nele, paisagens sonoras cinzentas e devastadas, levadas mesmerizantes, batidas cruas e tribais, além da indefectível e exata marcha matemática tão cara ao krautrock, dizem, mais uma vez, um sonoro presente. Uma íntegra resistência ao tempo, portanto. Prova de que a banda subverteu a lenda. Dessa vez, Fausto deu uma rasteira em Mefistófeles.

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Faust vence Mefistófeles. Apresentação incendiária em 2006.

Rápidas

   

O Soundpool disponibilizou em seu MySpace samples de todas as faixas de seu novo álbum, "Mirrors in Your Eyes", sucessor do ótimo "dichotomies + dreamland", já sorteado por aqui. O globo espelhado na capa e a definição usada pela banda para se autodescrever no Facebook ("Discogaze") não deixam dúvidas: a banda demonstra um flerte cada vez maior com as pistas de dança. A nossa festa agradece! Passa lá: myspace.com/soundpool

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O Sigur Rós está celebrando 10 anos do lançamento do álbum "Ágætis Byrjun", responsável por catapultá-los à fama internacional graças à sua sonoridade inovadora e vídeos marcantes como os de "Svefn-g-Englar" e "Viðrar Vel Til Loftárása". O lançamento de uma edição deluxe do disco está prevista para 2010. Enquanto isso, você pode conferir informações sobre as gravações, recordações dos integrantes, fotos e vídeos da época no site da banda.

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Foi lançado o vídeo oficial de "Summertime Clothes" do Animal Collective, sem dúvida a faixa mais acessível (e irresistível) do disco "Merriweather Post Pavillion". Neo-psicodelia é isso aí, o resto é bobagem! Dá só uma olhada:

13 junho 2009

A Trilha Sonora do Inverno

   

Faz frio aqui no Rio neste momento. Um frio até incomum para a cidade, sempre tão quente. E parece ser apropriado que a trilha sonora para esta sensação térmica seja o primeiro álbum da banda (um casal, na verdade) Screen Vinyl Image, chamado "Interceptors", lançado este ano.

O disco foi gravado em seu próprio apartamento, misturando guitarras, texturas criadas através de antigos sintetizadores analógicos, samplers e drum machines . Além da evidente influência da sonoridade shoegaze (típica do antigo grupo do qual ambos faziam parte, o Alcian Blue) sobre o trabalho, a banda informou à Daydreaming que até grupos antigos de hip-hop como Public Enemy, Erik B and Rakim e Run DMC serviram de inspiração.

A abertura instrumental impõe as primeiras impressões sobre o trabalho, que mostrarão-se presentes ao longo de toda a audição: transe, tensão, obscuridade. Como sugere o título de uma das faixas ("Lost In Repeat"), a banda parece querer fazer com que seus ouvintes se percam perante a nuvem de guitarras, distorções, beats, e vocais distantes que permeiam "Interceptors".

Com o tempo, torna-se até fácil perceber e estabelecer relações entre as demais referências citadas pelo grupo à Daydreaming: The Stooges, Suicide, Silver Apples, Loop, Giorgio Moroder, Patrick Cowley, Kraftwerk...rock e eletrônica com tons oitentistas, condensados em sua forma mais crua e sombria. Mas se engana quem acha que é só do meio musical que idéias podem surgir. Como a palavra, o vocalista Jake Reid:

"Uma de nossas grandes influências fora da música é o cinema. Nós inclusive trabalhamos e gravamos nossas músicas enquanto deixamos filmes passando. Alguns de nossos diretores favoritos são Dario Argento, Jean-Luc Goddard, David Cronenberg, Jean Cocteau, Mario Bava e John Carpenter".

Portanto, reafirmando o que disse anteriormente, nada mais apropriado do que tratar o Screen Vinyl Image como trilha para esses dias em que nem você, nem o sol, querem sair de casa. A música da dupla, assim como a estação, também pode ser aconchegante. E como estamos falando de som e imagem, sinto-me na obrigação de finalizar o post com o vídeo da canção "Fever", quarta faixa de "Interceptors".

Agora me dá licença que voltarei aos cobertores...